Comportamento

Que fim levaram as normalistas?

por Cesar Brod em 21 de março de 2010. 6 comentários

“Gente de minha rua
Como eu andei distante
Quando eu desapareci
Ela arranjou um amante
Minha normalista linda
Ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar… ”
(Belchior)

Duas notícias na semana que terminou ontem, dia 20 de março de 2010 e mais um papo com a minha filha Ana Luiza fizeram-me pensar, mais uma vez, sobre educação. Em ordem cronológica:

1. A revista Época do dia 15 de março publicou o artigo “Dá pra educar fora da escola?“, que começa falando de um casal que, insatisfeito com a qualidade de ensino em sua região, resolveu tirar os filhos da escola e educá-los por conta própria. Adiante o artigo mostra casos de sucesso de alunos educados em casa, dentre eles o ex-presidente americano Franklin Delano Roosevelt.

2. O Jornal Informativo de Lajeado publicou na edição do dia 17 de março, em suas páginas 14 e 15, uma matéria sobre a consequência da escassez de normalistas. Uma série de projetos educativos públicos e privados estão sendo adiados – e crianças são prejudicadas – pela falta de mão de obra que normalmente vinha de convênios de estágios com escolas que formam professores em nível médio. Mas a escassez da formação de professores em nível superior para as séries iniciais também já é notada. Na página web do jornal é possível acessar, seguindo o link para a edição impressa, todo o conteúdo desta matéria.

3. No dia 18 de março a Ana Luiza tocou violino na recepção dos novos alunos do Colégio Madre Bárbara, onde ela cursa o terceiro ano do ensino médio. Como bom pai coruja, acompanhei minha menina prodígio e babei, junto com todos os presentes, com sua apresentação. Na volta para casa comemos um pastel no Q-Fomis e passamos na casa dos meus pais onde, bem pertinho, tem uma loja de bijuterias. Ali a Ana Luiza apresentou-me às “shag bands”, pulseirinhas do sexo, que já haviam aparecido em seu colégio e que inclusive geraram a manifestação de sua direção. Resumidamente, a guria usa uma série de pulseirinhas coloridas no braço, o guri arrebenta uma delas e conforme a cor ganha um prêmio que vai do abraço a uma relação sexual completa, passando por lap dance e sexo oral.

Agora me diga, quem é que vai querer ser professor para encarar situações deste tipo? Ainda mais quando há pais omissos que preferem passar integralmente para a escola não só a formação educacional de seus filhos mas também a responsabilidade por seu comportamento. E quantos não são os pais que, havendo condições para isto, não prefeririam escudar seus filhos destes e outros perigos e educá-los em casa?

Sinceramente espero que possamos fazer alguma coisa para tornar a profissão de professor novamente atrativa. Quando eu era criança, minha irmã brincava de ser professora, depois formou-se no normal e deu aulas por algum tempo. Minha mãe aposentou-se como professora. Minha mulher também foi professora, assim como muitas amigas dela. É difícil pensar em alguém querer ser professor hoje depois de assistir a tantos vídeos de alunos espancando professores em sala de aula e imaginar ter que lidar com o furor uterino de alunos com pulseirinhas.

A posição do Colégio Madre Bárbara sobre as pulseirinhas é admirável: cabe à escola conscientizar os alunos sobre o assunto mas proibir, ou não, é função dos pais. “Os pais precisam criar limites e dialogar com seus filhos, esclarecer que isso pode ser um ato de desrespeito com o próprio corpo e aproveitar o assunto para falar com eles sobre sexualidade”, diz Odete Spessato, orientadora do colégio.

Na educação das crianças pais e escola deveriam ser parceiros e coisas como pulseirinhas devem ser discutidas com a consciência de que elas existem. Troca na sentença acima a palavra “pulseirinhas” por “crack”, “álcool”, “pedofilia”, “gravidez”, “aids”, tudo o que precisa ser falado e não é. Riscos fazem parte da vida e conhecê-los é o primeiro passo para que sejam evitados. A proibição pura e simples de uma coisa qualquer não ajuda em nada e pode ter o efeito contrário. Adolescentes gostam de transgredir, experimentar o proibido e irão fazê-lo. Antes que o façam com consciência e a liberdade de diálogo com seus pais e educadores. Não o diálogo em que o pai chega bêbado em casa e quer dar sermão no filho que está fumando um baseado.

Pra mim faz mais sentido a educação junto à sociedade, com a participação dos pais, escola, amigos, meios de comunicação, redes sociais e tudo o mais. A opção por educar os filhos em casa também deve levar isto em conta e, na minha opinião, a exclusão da escola (ou outros ambientes de socialização) só deve ser feita em casos extremos. Eu sempre faço uma redução ao absurdo quando penso neste tipo de coisa. Imagina a opção de educar as crianças sem a presença dos pais? Ou afastar as crianças do convívio social para a sua educação? A história fala por si.

Houvesse uma fórmula certa para a educação de nossos filhos eu gostaria de tê-la descoberto. Provavelmente até estaria rico. Mas não. Sou um pai com milhares de defeitos, todos eles bem conhecidos e enumerados pelas minhas filhas e pela minha mulher. Meus pais, por sua vez, estão próximos da perfeição, mas não puxei a eles neste aspecto. Pior ainda, há defeitos que eu nem reconheço! Mas uma coisa da qual eu e minha mulher nunca abrimos mão foi a ativa participação na formação de nossas filhas. Mesmo ambos trabalhando, muitas ausências em viagens, algumas brigas e crises familiares no caminho, as pessoas que nós colocamos no mundo sempre foram nossa responsabilidade. Não somos os únicos. Todos aqueles que amam de verdade seus filhos sabem exatamente do que estou falando. Fórmula perfeita não tem mesmo, mas não há dúvida que amor e presença (mesmo virtual) têm que fazer parte desta fórmula para que ela tenha alguma chance de sucesso.

Mais uns links:

Matéria da BBC sobre as pulseirinhas – vale a pena dar uma passada nos comentários
Mallu Magalhães e a Escola

Fora de lugar

por Thiago Fonseca em 11 de novembro de 2009. Nenhum comentário

Li no site IDG Now que o Ministério da Cultura está preparando um projeto para uma nova lei de direitos autorais. Uma das novidades é a possibilidade de o dono de um cd, por exemplo, fazer legalmente um cópia privada do conteúdo do seu disco em outra mídia, para uso pessoal.

Outra boa notícia é que o uso de pequenos trechos de áudio ou vídeo será permitido para a criação de mashups. Mashups, para quem não sabe, são mais do que simples remixes (talvez seja a evolução destes): trata-se da fusão de diversas músicas ou elementos musicais em uma nova faixa. No cenário internacional, temos o Girl Talk e o 2 Many DJs / Soulwax como exemplos de artistas de mashup; no Brasil, The Twelves.

Neste momento em que os direitos autorais são discutidos justamente por haver um novo uso dos bens artísticos – músicas, clipes, filmes, qualquer coisa que caia na net é objeto imediato de interação por parte de muitos dos navegantes -, não é de surpreender que os próprios artistas se desloquem de seus lugares originais. No âmbito da música, um dos sinais disso é o crescente aparecimento de supergrupos.

Um supergrupo é um grupo formado por integrantes de outros grupos consagrados. Já tivemos, por exemplo, Fantômas, Gorillaz, Mad Season, Audioslave e, mais recentemente, Chickenfoot, Them Crooked Vutures e a banda do Thom Yorke (sem nome, o que não é pouco significativo). Também temos um caso brasileiro: Nove Mil Anjos, atualmente fora de atividade. DE todos, o mais interessante que me vem à cabeça é o Broken Social Scene, um coletivo de bandas (eles, apesar de tudo, recusam o título de supergrupo) que envolve membros do Metric, Do Make Say Think, Land of Talk e Stars, entre outros. É muita gente, de diferentes estilos musicais. E a banda é boa.

Alguns membros do Broken Social Scene

Alguns membros do Broken Social Scene

É interessante notar que os músicos não estão conformados com seus grupos originais e suas músicas de sempre. Em vez de optar por mais um disco, que sempre leva ao dilema “inovar e arriscar a perder fãs” ou “manter a sonoridade e ficar para trás”, muitos artistas preferem um situação não-estática de suas carreiras. Com isso, derrubam gêneros musicais antigos e surgem – ou ao menos é o que esperamos – novas experiências sonoras. Fica difícil, às vezes, saber em que prateleira procurar um CD novo. Mas quem procura CDs em lojas?

Por fim, não é só os músicos que trabalham com esse dinamismo, com essa zona de indeterminação. Recentemente, David Lynch fez um projeto de álbum com Danger Mouse e Sparklehorse, chamado Dark Night of The Soul. Sem nenhuma surpresa, conta em cada faixa com a participação de um diferente intérprete: Julian Casablancas (The Strokes), Wayne Coyne (The Flaming Lips), Suzanne Vega, etc.

Há, também, um movimento contrário, que é o retorno de antigas bandas: Alice in Chains com novo vocalista, as turnês do Faith No More e do Pavement a princípio seria um contrapeso ao que tentei destacar. Por outro lado, podemos lembrar também que se trata de músicos que não deixaram defazer outros projetos bem sucedidos nos últimos anos – é inegável a qualidade da carreira solo de Jerry Cantrel e Stephen Malkmus (Alice in Chains e Pavement, respectivamente), sem falar nos inúmeros trabalhos de Mike Patton (Faith No More).

Muito mais pode e deve dito sobre o tema. Por ora, basta que se torne claro um sinal de nossos tempos: de que tudo e todos estão mudando de posição (exponencialmente), e que estar em movimento é essencial.

PS: deixo de colocar os links para todos os artistas citados porque são muitos. Felizmente, temos ferramentas interativas para copiar e colar no Google ;)

Como a internet vê você?

por Rodrigo Brod em 26 de agosto de 2009. Nenhum comentário

Personas é uma parte da exibição Metropath(ologies), atualmente em exibição no museu do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Ele usa sofisticados sistemas de processamento de linguagem, em conjunto com dados obtidos na internet, para apresentar um retrato de como a web vê você.

Basta digitar seu nome e sobrenome e ver os resultados. Interessante e quase assustador. Confere lá: http://personas.media.mit.edu/personasWeb.html

Personas

A dica veio da nossa Mariana Sanchez, via twitter. Aliás, digitar o nome dela no Personas é uma experiência muito interessante, porque ela tem uma série de homônimos na internet e os resultados são bizarrinhos :)

Damas e Cavalheiros

por Mariana Sanchez em 14 de maio de 2009. Nenhum comentário

Live With Chivalry é a nova campanha da marca Chivas Regal (whisky), criada pela Euro RSCG Londres. Enfocada no público masculino 28 a 40 anos, a mensagem é o retorno a valores supostamente perdidos no tempo como honra, cavalheirismo e lealdade.
Foi realizada uma pesquisa com consumidores e 70% deles acreditam que o retorno desses valores melhoraria a qualidade de vida das pessoas.
Interessante, não?

Fonte: Adlatina

Cosmopolitan Tribalism

por Mariana Sanchez em 13 de maio de 2009. 4 comentários

O vídeo abaixo foi produzido pelo escritório de tendências Box1824 (mais aqui).
Primeiro fiquei indignada porque já li sobre “tribos urbanas” (Mafesolli) desde o primeiro ano de faculdade e agora foi encaixada num termo “vendedor” e apresentada como “último grito”. Depois me dei conta de que essa mega tendência estética que está por todos os lados (pelo menos os meus), não era apenas uma sensação estranha. E meu último sentimento foi de “ok, o vídeo é legalzinho”.
Que tirem suas próprias conclusões, eu desisto.

Via: Museando

Para quem quiser entender de vez a proposta do trabalho, o Rodrigo achou “O” link: Bola Sociology Design.

A Força da Rua

por Mariana Sanchez em 7 de maio de 2009. 1 comentário

Uma ONG britânica chamada ABC Trust realizou um leilao de guitarras Gibson customizadas por grafiteiros brasileiros e ingleses. O objetivo foi arrecadar verba para projetos sociais no Brasil. A iniciativa chamou-se A Força da Rua.
A ONG foi fundada por Jimena Page, mulher de Jimmy Page.

Mais info: BBC Brasil

Leilao de guitarras Gibson customizadas por grafiteiros.

Greenpeace no YouTube

por Xera em 23 de abril de 2009. 2 comentários

Pode até ser que a estratégia do Greenpeace com esses vídeos não seja uma mudança radical no comportamento das pessoas, até porque isso é bem complicado, mas consegue, de uma maneira interessante e com custo zero, atingir muita gente.

A criação é da Almap.

Via: ADivertido

Pergunte aos universitários

por Rodrigo Brod em 23 de abril de 2009. 5 comentários

Post rápido, quase um twit. Ontem estive na Univates a convite do professor Sandro, coordenador do curso de comunicação, para falar com os alunos do primeiro semestre em uma cadeira que tem alunos de publicidade, jornalismo e relações públicas. Talvez porque eu ande com ideias mil fervilhando na cabeça, foi muito bacana ter gente pra ouvir, trocar mais ideias e ver que algumas delas podem “exponencializar” por aí .

Agradeço ao povo “guerreiro” que abriu mão do intervalo pra me ouvir falar sem parar e economizar uns trocos com terapia :).

Go, today

por Rodrigo Brod em 16 de abril de 2009. 5 comentários

Não tinha visto este comercial específico da Visa ainda, mas comecei a ler uns twitts de pessoas comentando e fiquei curioso pra ver Smashing Pumpkins como trilha de comercial de cartão de crédito. Ficou bonito e de repente o Billy Corgan anda precisando de uns trocos mesmo. Mas o interessante é comparar o clipe original com o comercial, que é um certo choque de conceitos.

A criação é da TBWA/Chiat/Day de Los Angeles e a narração é do Morgan Freeman. Mal posso esperar pra ver a versão brazuca com a narração do Antônio Fagundes :). Abaixo, o comercial e o clipe.

Via Brainstorm9 e @marcelogcoelho.

Furniture falling from the sky

por Rodrigo Brod em 15 de abril de 2009. Nenhum comentário

Dizem que pode ser uma ação da Ikea, mas por enquanto ninguém sabe ao certo. Móveis caindo do céu em Paris.

Claro, dá pra notar que não é real, porque os móveis já aparecem no chão ou caindo de paraquedas ao longe. Mas, de qualquer forma, é um vídeo com alto potencial de “exponencializar” por aí.

Via UpdateOrDie e Adivertido.

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