Posts de Thiago Fonseca

Para além do embrulho do peixe

por Thiago Fonseca em 19 de julho de 2010. 1 comentário

Recentemente, a MTV lançou, na cidade de São Paulo, um jornal impresso. Chama-se MTV Na Rua e é distribuído gratuitamente em cruzamentos de grandes avenidas e também em ônibus (que é onde eu costumo pegar).

O formato é tabloide e tem 16 páginas. Dessas, 3 são inteiras de anúncio, e ainda há alguns outros menores espalhados. Ao contrário do que se poderia esperar, ele não fala só da MTV. Na verdade, fala até pouco: uma coluna da Marimoon na edição de hoje. É um jornal jornal mesmo, com notícias e reportagens sobre a cidade. A linguagem é “jovem” – por exemplo, no caderno Geral, o subtítulo é “notícias sérias sem dar sono”; no Arena, “esporte sem lenga-lenga”, e por aí vai.  Não sei dizer se tem também um ponto de vista jovem, mas não é essa a questão.

mtvnarua

Tabloides gratuitos não são novidades em algumas capitais. Aqui em São Paulo, o mais antigo de que me lembro (vivo aqui desde 2.000) é o Metrô News, distribuído no Metrô. Além dele, o jornal Destak completou recentemente 4 anos, se bem me lembro do anúncio na TV. Anúncio na TV sempre dá a impressão de que o negócio está indo bem. Outro é o Metro, que é, segundo seu próprio site, o maior jornal do mundo. É distribuído em 23 países (não sei se é gratuito em todos eles).

metro

destak

Metro e Destak têm o mesmo formato do MTV Na Rua, com mais inserções publicitárias (talvez por serem mais consolidados). Hoje, os dois vieram com um anúncio curioso: estavam envolvidos por uma capa que diz: “A comparação não deixa dúvidas”. É um anúncio de creme dental da Oral-B, trazendo uma comparação do seu produto com o “creme dental multibenefício líder” e, é claro, ganhando. A comparação entre Metro e Destak fica por conta dos leitores, que receberam os jornais juntos.

Muito se fala no crescimento da mídia eletrônica, o que é indiscutível. Mas (atenção ao trocadilho) e o papel do jornal tradicional? Parece que essa mídia continua firme e forte. Recentemente, a Folha de São Paulo fez uma reformulação editorial e afirmou-se como o jornal do futuro. A campanha dizia: “Enquanto as pessoas discutem o futuro do jornal, nós fizemos o jornal do futuro”.

Ou seja, uma aposta na continuidade do valor do jornal como mídia, seja de anúncios, seja de notícias e matérias. O próprio investimento da MTV, que é (atenção à contradição) tradicionalmente jovem e de vanguarda, é muito significativo para este segmento. Não sendo jornalista, não posso ir muito além dessas observações. Como mero leitor, cabe apenas dizer que, graças a esse crescimento na mídia, hoje perdi o ponto do ônibus.

2º Vira Cultura

por Thiago Fonseca em 27 de novembro de 2009. 4 comentários

A Livraria Cultura do Conjunto Nacional (São Paulo) realiza no próximo final de semana a segunda edição do Vira Cultura. O nome é uma brincadeira com a Virada Cultural, da prefeitura da cidade, e o evento propriamente dito também tem suas semelhanças com a iniciativa da prefeitura.

No Vira Cultura, o Conjunto Nacional ficará aberto das 9h de sábado (dia 28) até as 20h do domingo (dia 29). São 35 horas de atividades culturais (portanto, mais que as tradicionais 24h da Virada Cultural), que vão desde pré-estreias de filmes até apresentações de stand-up comedy. Não faltarão, é claro, eventos literários, já que se trata de uma livraria, com debates e palestras de escritores como Paulo Scott, Chacal e Marcelino Freire, entre muitos outros.

Os eventos são gratuitos e os interessados precisam apenas chegar com uma hora de antecedência para participar.

Enfim, trata-se de um bom exemplo de como atrair os clientes para a sua marca atraindo-os à sua loja. O interessante é que, ao mesmo tempo, a loja da Livraria Cultura é o elemento de maior valor da marca. Quem já foi sabe lá que é um lugar muito bacana e agradável.

Ah, e a coruja da Vira cultura é um logotipo perfeito.

Programação

Fonte: Estadão

Fora de lugar

por Thiago Fonseca em 11 de novembro de 2009. Nenhum comentário

Li no site IDG Now que o Ministério da Cultura está preparando um projeto para uma nova lei de direitos autorais. Uma das novidades é a possibilidade de o dono de um cd, por exemplo, fazer legalmente um cópia privada do conteúdo do seu disco em outra mídia, para uso pessoal.

Outra boa notícia é que o uso de pequenos trechos de áudio ou vídeo será permitido para a criação de mashups. Mashups, para quem não sabe, são mais do que simples remixes (talvez seja a evolução destes): trata-se da fusão de diversas músicas ou elementos musicais em uma nova faixa. No cenário internacional, temos o Girl Talk e o 2 Many DJs / Soulwax como exemplos de artistas de mashup; no Brasil, The Twelves.

Neste momento em que os direitos autorais são discutidos justamente por haver um novo uso dos bens artísticos – músicas, clipes, filmes, qualquer coisa que caia na net é objeto imediato de interação por parte de muitos dos navegantes -, não é de surpreender que os próprios artistas se desloquem de seus lugares originais. No âmbito da música, um dos sinais disso é o crescente aparecimento de supergrupos.

Um supergrupo é um grupo formado por integrantes de outros grupos consagrados. Já tivemos, por exemplo, Fantômas, Gorillaz, Mad Season, Audioslave e, mais recentemente, Chickenfoot, Them Crooked Vutures e a banda do Thom Yorke (sem nome, o que não é pouco significativo). Também temos um caso brasileiro: Nove Mil Anjos, atualmente fora de atividade. DE todos, o mais interessante que me vem à cabeça é o Broken Social Scene, um coletivo de bandas (eles, apesar de tudo, recusam o título de supergrupo) que envolve membros do Metric, Do Make Say Think, Land of Talk e Stars, entre outros. É muita gente, de diferentes estilos musicais. E a banda é boa.

Alguns membros do Broken Social Scene

Alguns membros do Broken Social Scene

É interessante notar que os músicos não estão conformados com seus grupos originais e suas músicas de sempre. Em vez de optar por mais um disco, que sempre leva ao dilema “inovar e arriscar a perder fãs” ou “manter a sonoridade e ficar para trás”, muitos artistas preferem um situação não-estática de suas carreiras. Com isso, derrubam gêneros musicais antigos e surgem – ou ao menos é o que esperamos – novas experiências sonoras. Fica difícil, às vezes, saber em que prateleira procurar um CD novo. Mas quem procura CDs em lojas?

Por fim, não é só os músicos que trabalham com esse dinamismo, com essa zona de indeterminação. Recentemente, David Lynch fez um projeto de álbum com Danger Mouse e Sparklehorse, chamado Dark Night of The Soul. Sem nenhuma surpresa, conta em cada faixa com a participação de um diferente intérprete: Julian Casablancas (The Strokes), Wayne Coyne (The Flaming Lips), Suzanne Vega, etc.

Há, também, um movimento contrário, que é o retorno de antigas bandas: Alice in Chains com novo vocalista, as turnês do Faith No More e do Pavement a princípio seria um contrapeso ao que tentei destacar. Por outro lado, podemos lembrar também que se trata de músicos que não deixaram defazer outros projetos bem sucedidos nos últimos anos – é inegável a qualidade da carreira solo de Jerry Cantrel e Stephen Malkmus (Alice in Chains e Pavement, respectivamente), sem falar nos inúmeros trabalhos de Mike Patton (Faith No More).

Muito mais pode e deve dito sobre o tema. Por ora, basta que se torne claro um sinal de nossos tempos: de que tudo e todos estão mudando de posição (exponencialmente), e que estar em movimento é essencial.

PS: deixo de colocar os links para todos os artistas citados porque são muitos. Felizmente, temos ferramentas interativas para copiar e colar no Google ;)

História (recente) da música

por Thiago Fonseca em 17 de agosto de 2009. Nenhum comentário

O século XX começou em 2000 ou 2001? A década de 00 começou em 2000 ou 2001? Bom, se os anos 90 acabaram em 99 e os anos 10 começam no próximo 1º de janeiro, então os anos 00 começaram em 2000 e, portanto, estamos vivendo seus últimos dias.

A divisão das décadas é importante para a história da música (entre outras), pelo menos como a costumamos categorizar (anos 60, 70, 80, 90). Tendo em vista o final da década, o site americano Pitchfork resolveu recontar a história da música dos anos 2000. As matérias vão aparecer aos poucos, a partir de 24 de agosto, considerando o tanto que mudou nesses últimos anos: não só com relação aos estilos, mas ao formato da música. Destaque para o logo, aqui reproduzido.

História (recente) da música, pelo Pitchfork

Enquanto não começa, está disponível, para os neuróticos de plantão, um top 500 (isso mesmo: quinhentos) das melhores faixas desde 2000.

O link: http://www.pitchfork.com

Motorokr + U2

por Thiago Fonseca em 26 de março de 2009. Nenhum comentário

O disco novo do U2 – No line on the horizon – vem integralmente disponível em MP3 para quem compra um celular Motorokr, da Motorola.

Mas a campanha pisou na bola. Em banners na internet e em outras mídias, há uma peça em que um personagem, na faixa dos 30 anos, diz algo parecido com “Eu chutava bastante na barriga da minha mãe. Só acalmava quando ouvia U2.”. A frase é assinada pelo sujeito, que se afirma fã de U2 desde 1979.

O primeiro disco da banda, Boy, é de 1980.

U2 - Boy

Tudo bem que a banda se formou em 1976. Só que teve outros nomes e era desconhecida fora da Irlanda. Faltou atenção ao pessoal da campanha. Talvez fosse afã de marcar o público-alvo como tendo 30 anos (2009 – 1979 = 30).

Lembei-me, com isso, de outra campanha, também de celulares, mas de operadoras (acho que Claro). Ao anunciar o serviço de internet 3G, o personagem da propaganda pesquisava, no filme, por “civilização asteca” no próprio celular. E recebia a imagem de uma pirâmide maia.

Manual do Minotauro

por Thiago Fonseca em 21 de janeiro de 2009. 2 comentários

Não é exatamente uma novidade desta semana, mas o fato é que Laerte tem agora um blog. Trata-se do Manual do Minoutauro, no qual publica suas tiras diárias da Folha de S. Paulo e algum material inédito – além de receber comentários e eventualmente respondê-los.

O nome do blog vem de uma série de tirinhas publicadas no jornal paulista em 2008. Evidentemente, todas geniais. Para quem não o conhece (que lástima), acho que basta ver a foto do autor no site pra se ter uma ideia do tipo de humor do cara.

Clique aqui para visitar.

Manual do Minotauro 14/27
Manual do Minotauro 14/27

Grandes nomes

por Thiago Fonseca em 17 de setembro de 2008. 1 comentário

Pior do que herdar um nome bizarro, como a antiga vizinha do Rodrigo (Hilda Fuchs), é escolher um nome bizarro para a sua marca. É o caso da rede concessionária barriga-verde Fuck Automóveis.

Para aqueles que não sabem, numa tradução livre adaptada a este horário, “Fuck” é algo como “fazer amor”, com uma conotação um pouco mais chula.

Eles devem ter se inspirado no slogan da montadora: Movidos pela paixão.

Fiat Fuck

Nossas vidas

por Thiago Fonseca em 2 de setembro de 2008. 1 comentário

Hoje (02/09/2.008), na Folha de São Paulo , Adão Iturrusgarai publicou a seguinte tirinha:

Nossas vidas são assim mesmo.

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