Posts de Meire Brod

Ele pensa como a gente

por Meire Brod em 2 de dezembro de 2008. 1 comentário

Pelo menos gostamos de acreditar que sim. Pode ser pretensão, mas o fotógrafo paulistano Vik Muniz, assim como a Dobro, não usa as tradicionais ferramentas para expressar sua arte. Vik faz suas obras com caviar, chocolate, sucata, entre outros materiais pouco usuais. E pela primeira vez, um artista plástico brasileiro é convidado a organizar uma exposição no mais influente museu de arte moderna do mundo, o MoMA. Ele, que mora em Nova York desde 83, foi descoberto pelo crítico de artes Charles Haggan quando expôs numa pequena galeria a série Crianças de Açúcar, onde fotografou imagens de crianças formadas por… açúcar. Depois disso, até já usou caviar para fazer o retrato de Vladimir de caviar para a edição comemorativa de 75 anos da revista americana Esquire, publicada neste ano.

Vik e seu auto-retrato feito com brinquedos de plástico
Vik e seu auto-retrato feito com brinquedos de plástico

O velho e o novo

por Meire Brod em 16 de outubro de 2008. Nenhum comentário

Acirrando a disputa entre os mundos analógico e digital, a cidade de Goethe sedia desde ontem a Feira do Livro de Frankfurt e apresenta ao público um fantástico contraste que vai desde livros antigos e raríssimos, como a versão original manuscrita de uma música do compositor austríaco Franz Schubert, de 1825, ou uma carta do poeta alemão August von Platen, até as novas tecnologias, como o leitor eletrônico Sony Reader.

O aparelhinho, lançado pela Sony em 2006 no mercado americano e só agora na Europa, é um dispositivo do tamanho de um livro, mas com apenas 1 cm de espessura. Ele começou a ser vendido por US$ 350 no site da Sony na quarta-feira. Muito chique, a tela, baseada em tecnologia da E Ink Corp, assinada pelo MIT, é composta de pequenas cápsulas com partículas pretas e brancas carregadas com cargas elétricas.

Ronald Schild, especialista em inovação digital no mundo editorial, e que estava na feira, comenta sobre o futuro do livro impresso: “Acho que os dois meios conviverão. No futuro, as crianças continuarão tendo suas primeiras experiências de leitura em livros impressos. Porém, duvido que continuem levando para escola mochilas com vários quilos de livros”. Concordo com ele e rezo para que esse dia chegue logo, para o bem das minhas filhas que levam quilos de livros para a aula diariamente.

Bom, mas já que a parafernália ainda vai demorar para chegar por aqui, continuo recebendo pelo meu email diariamente os livros que escolho pelo site Leitura Diária. No site, depois de feita a “assinatura” do livro, você recebe trechos dele em seu email. O mais legal é que você poderá escolher o tamanho do texto (para ler em 5, 10, 15 ou 30 minutos), além dos horários e dias da semana do envio.

Porém, para mim, nada substitui o cherinho bom de um livro novo ou a sensação de manusear um livro velho, cheio de orelhas e marcas de quem já o leu.

Impróprio para menores

por Meire Brod em 10 de outubro de 2008. Nenhum comentário

Todo mundo se esbalda na internet. Até a criançada. Para quem nasceu plugado, nada mais normal do que usar a web como fonte de referência para tudo. Tudo mesmo! Fique sabendo que 53% das crianças e jovens brasileiras tiveram contato com conteúdos agressivos e considerados impróprios para sua idade através da internet. Esse é o resultado de uma pesquisa inédita (e divulgada ontem) realizada pela ONG SaferNet Brasil – responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo. O objetivo era mostrar a relação dos jovens brasileiros com a internet, e os perigos que eles correm.

Para quem é pai, o alarmante é saber que 87% dos jovens internautas afirmaram que não possuem restrições ao uso da Internet, e 64% disseram que navegam pela web principalmente no próprio quarto, local considerado impróprio pelos especialistas no assunto.

Verdade seja dita, basta ter um pouco de bom senso para saber que assim como qualquer remédio ou guloseima, a internet tem que ser oferecida às crianças com parcimônia. Mesmo assim, não é de hoje que a gente vê empresas antenadas em oferecer ajuda aos pais desavisados. A Brod Tecnologia, empresa do nosso colablogador (e marido meu), Cesar Brod, realizou há dois anos um trabalho patrocinado pela Microsoft. Trata-se do portal Navegue Protegido, dirigido para jovens, pais e professores, com informações que garantem o a segurança das crianças em suas pesquisas, comunicação e diversão na Internet.

O portal é uma iniciativa da Ricky Martin Foundation e da Microsoft, com apoio da Fundação Ayrton Senna, Projeto Cidade Aprendiz, Abrinq.

Somos todos iguais

por Meire Brod em 18 de setembro de 2008. 1 comentário

Não se trata de afirmação de cunho comunista. Trata-se da máxima pela qual eu julgo que somos vistos pela sociedade capitalista. Eu explico melhor. Ontem mesmo caminhava com a Mariana pelas ruas cheias de lojas do centro de Lajeado e reclamávamos da chatice de sermos impelidas a consumir uma moda prontinha, feita para todos e usada por poucos (os que têm bom senso ainda conseguem escapar de sair de par de vaso). Nada me dá mais raiva do que ouvir da vendedora que o lilás é cor da moda e que, na próxima estação, o cor-de-rosa eternizado pela “mulher de Dior” voltará (?) com toda carga. Putz! Mas eu sou morena e quero um vestido vermelho! Como eu fico?

Fico pasma quando os caras me obrigam a usar uma coisa que eu não quero, mesmo que não seja no mundinho fashion. Quando isso se aplica à tecnologia, que sempre suponho estar anos-luz à frente da moda, então, saio do sério. Confesso que isso não é difícil…

Mas hoje fui tentada por um e-mail marketing da Saraiva a comprar por dez reais cada, vários livros. Lá fui eu selecionar os itens, botar no meu carrinho de compras e tals. Daí, tentava finalizar a compra e o raio do sistema dizia que a cidade selecionada não pertencia à UF. Ora, bolas! Eu sei que Lajeado fica no RS porque eu moro aqui, né? Tentei de novo pra ver se eu enganava o sistema, já que poderia ser apenas um bug, sei lá. Erro de novo! Como não desisto fácil, pedi ajuda aos universitários e chamei o help desk on-line. Eu era 54ª na fila de espera, pode? Pode! Bom, continuei trabalhando quando fui chamada pelo Denis Vilela, o atendente prestativo deles. Expliquei meu problema e o Denis veio com essa:

Senhora Meire, peço que a senhora faça essa alteração pelo navegador Internet Explorer, pois o Mozilla em alguma situações gera erros nos aplicativos do site.

E eu respondo: Desculpe Denis, mas então terei de desistir da compra porque eu não uso o sistema operacional Windows. Eu uso um Mac (uhu!).

Bom, depois de pedir meu cpf, confirmar meu e-mail e mais umas perguntas, ele me avisa que conseguiu alterar o sistema. Puxa! Será que isso acontece tão raramente? Será que a imensa maioria ainda usa IE (e aí eu desconheço a razão, porque simplesmente é muito ruim) que não vale a pena uma Saraiva da vida investir num portal cujo sistema seja compatível com vários outros sistemas operacionais? Ou será preciosismo nosso querer desenvolver projetos web que contemplem a todos?Está na hora de mudar isso definitivamente ou seremos obrigados a usar pra sempre o cor-de-rosa – ou a tela azul…

A moda, o sexo e a cidade

por Meire Brod em 11 de junho de 2008. 2 comentários

Ontem vi cenas do filme Sex and the City e fiquei deslumbrada com o desfile de roupas proporcionado pelas amigas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Desculpe a futilidade, mas quase nem prestei atenção aos diálogos. Com um guarda-roupa arrasa quarteirão, as quarentonas fizeram mais de mil trocas de roupas que, segundo a revista Elle, torna a película “a novidade mais importante na moda desde a criação das calças compridas”.
A responsável pelos figurinos de babar é Patricia Field, a mesma que fez O Diabo veste Prada.
Pena que terei de ir à Porto Alegre para assistir Sex and the City, porque não me arrisco mais a ver qualquer coisa no cinema do shopping de Lajeado…

Música para vários humores

por Meire Brod em 30 de maio de 2008. Nenhum comentário

Não é tão novidade, mas mesmo assim é legal. Aqui na agência a gente tem a Mariana de DJ pra colocar música de acordo com os ânimos e o estado geral de humor da galera. Geralmente ela acerta.

Mas pra quem não tem alguém com este perfil por perto, pode usar esta webradio e definir seu universo musical conforme o estado de espírito.

http://musicovery.com/index.php?ct=us

Me engana que eu gosto

por Meire Brod em 30 de maio de 2008. Nenhum comentário

Recente pesquisa realizada pela Pew Internet, em parceria com o American Life Project, apontou que apenas 7% dos consumidores americanos consideram que a internet causa algum impacto em suas compras de música. O estudo informa que 82% dos entrevistados, e 69% daqueles com menos de 35 anos de idade, ainda compram a maioria de suas músicas em CD. Cerca de 15%, ou 27% dos entrevistados com menos de 35, disseram que metade de suas compras foram de faixas únicas em formato digital.
Só se for lá nos Estados Unidos. Aqui a história é bem outra. Baixar conteúdo multimídia sem pagamento de direitos autorais na internet é uma prática pra lá de comum entre os jovens que eu conheço. Mas eu duvido muito que isso expresse uma realidade só nossa, porque definitivamente a internet mudou radicalmente a forma pela qual as pessoas têm acesso às músicas – e à cultura, em geral.

Templo da arte

por Meire Brod em 16 de maio de 2008. 1 comentário

A nova sede da Fundação Iberê Camargo que vai ser inaugurada no final de maio, em Porto Alegre, promete ser umas das grandes atrações da cidade. Claro, pra quem curte cultura da boa.

Com soluções inusitadas e um alto grau de dificuldade, o arquiteto português Álvaro Siza, um dos mais importantes da atualidade, criou um espaço integrado à bela paisagem da cidade. Segundo ele, “é preciso compreender que no trabalho de um arquiteto também conta a atmosfera de uma cidade, a arquitetura que a gente vê diretamente na paisagem.”

O arquiteto fez jus a um espaço que irá abrigar o acervo de um dos maiores artistas brasileiros contemporâneos. Sem dúvida, um lugar para a difusão do conhecimento.

Free the Press in China

por Meire Brod em 16 de maio de 2008. Nenhum comentário

Sedentária assumida, nunca fui fã de esportes, mas confesso que me animo toda em Copa do Mundo e Olimpíadas, mesmo nem sabendo quais são os times que jogam ou quais os esportes que estarão competindo. Tudo pelo show!

Mas este ano, para mim, o clima para os jogos olímpicos é bem outro. Acho um absurdo o fingimento do governo chinês que insiste em ignorar as críticas e cobranças do mundo inteiro em relação aos massacres naquelas terras.

Eu sei que aqui também acontecem zilhões de atrocidades cotidianas que podem causar tantos danos quanto uma guerra ou um regime impositivo e não quero usar a mesma lógica dos estadosunidenses que julgam e condenam outras culturas em tribunais montados por eles mesmos, mas não posso me sentir confortável com a idéia de que a verdade seja detida de maneira tão vil.

Segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN), mais de 30 jornalistas chineses cumprem pena de prisão por terem tido a coragem de protestar, criticar e informar. Isso que eu só falo neste momento do que diz respeito à imprensa, sem mencionar aos cidadãos comuns.

Quem quiser engrossar a fileira de protestos, pode ajudar na campanha da WAN e deixar um recado no site www.wan-press.org/china.

Vai e volta

por Meire Brod em 3 de maio de 2008. 2 comentários

Como boa filha da classe média, cresci ouvindo minha mãe falando que eu não deveria me desfazer assim tão rápido das roupas que eu enjoava ou que se tornavam ultrapassadas. E já que eu era a terceira irmã, e não teria mesmo pra quem repassá-las, o negócio era deixar um tempo guardado mesmo. Mas ela insistia em dizer que “daqui uns tempos a moda volta”. Até parece! – pensava eu. E, bingo! Não é que dali uns anos tudo que era feio voltava a ser bonito? E eu era a garota sortuda que entre as amigas tinha o guarda-roupa mais recheado de “novidades”.

O engraçado é que este conceito bem aplicado da minha mãe continuou servindo pra outras coisas. O mundo insiste em chamar de novo aquilo que já sabemos existir de longa data. O reciclado ganha aspecto de inédito e assim a gente vai vivendo numa espécie de revival ininterrupto. Agora, por exemplo, fala-se ainda e muito em below the line, apesar de a curva já estar baixando (o eterno vai e volta). Falo disso só pra reforçar o que o Rodrigo escreveu no primeiro post. É que a gente vem fazendo isso aqui há séculos na Dobro e de forma espontânea, como se para nós não houvesse outra forma de fazer comunicação. Como se o jeito mais tradicional e muitas vezes mais prático e cômodo, para nós não diga muita coisa. Claro, verdade seja dita, por estarmos num mercado pequeno, de interior, falar em grandes campanhas é quase como querer acreditar na fada dos dentes. A gente sabe que não existe, mas continua colocando moedinha debaixo do travesseiro. Ou mais ou menos isso…

Mas o fato é que, para nós, sempre será desafiante realizar uma campanha ou planejar um lançamento ou criar uma nova marca e posicioná-la no mercado, ou qualquer que seja o trabalho, de um jeito não-convencional e não-linear, instigando nossas vontades e inteligência. E, claro, buscando sempre o melhor resultado, porque sabemos bem o que quer o cliente ao final das contas. Isso sim, é comunicação bem feita e surpreendente.

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