Para além do embrulho do peixe
Recentemente, a MTV lançou, na cidade de São Paulo, um jornal impresso. Chama-se MTV Na Rua e é distribuÃdo gratuitamente em cruzamentos de grandes avenidas e também em ônibus (que é onde eu costumo pegar).
O formato é tabloide e tem 16 páginas. Dessas, 3 são inteiras de anúncio, e ainda há alguns outros menores espalhados. Ao contrário do que se poderia esperar, ele não fala só da MTV. Na verdade, fala até pouco: uma coluna da Marimoon na edição de hoje. É um jornal jornal mesmo, com notÃcias e reportagens sobre a cidade. A linguagem é “jovem” – por exemplo, no caderno Geral, o subtÃtulo é “notÃcias sérias sem dar sono”; no Arena, “esporte sem lenga-lenga”, e por aà vai. Não sei dizer se tem também um ponto de vista jovem, mas não é essa a questão.

Tabloides gratuitos não são novidades em algumas capitais. Aqui em São Paulo, o mais antigo de que me lembro (vivo aqui desde 2.000) é o Metrô News, distribuÃdo no Metrô. Além dele, o jornal Destak completou recentemente 4 anos, se bem me lembro do anúncio na TV. Anúncio na TV sempre dá a impressão de que o negócio está indo bem. Outro é o Metro, que é, segundo seu próprio site, o maior jornal do mundo. É distribuÃdo em 23 paÃses (não sei se é gratuito em todos eles).


Metro e Destak têm o mesmo formato do MTV Na Rua, com mais inserções publicitárias (talvez por serem mais consolidados). Hoje, os dois vieram com um anúncio curioso: estavam envolvidos por uma capa que diz: “A comparação não deixa dúvidas”. É um anúncio de creme dental da Oral-B, trazendo uma comparação do seu produto com o “creme dental multibenefÃcio lÃder” e, é claro, ganhando. A comparação entre Metro e Destak fica por conta dos leitores, que receberam os jornais juntos.
Muito se fala no crescimento da mÃdia eletrônica, o que é indiscutÃvel. Mas (atenção ao trocadilho) e o papel do jornal tradicional? Parece que essa mÃdia continua firme e forte. Recentemente, a Folha de São Paulo fez uma reformulação editorial e afirmou-se como o jornal do futuro. A campanha dizia: “Enquanto as pessoas discutem o futuro do jornal, nós fizemos o jornal do futuro”.
Ou seja, uma aposta na continuidade do valor do jornal como mÃdia, seja de anúncios, seja de notÃcias e matérias. O próprio investimento da MTV, que é (atenção à contradição) tradicionalmente jovem e de vanguarda, é muito significativo para este segmento. Não sendo jornalista, não posso ir muito além dessas observações. Como mero leitor, cabe apenas dizer que, graças a esse crescimento na mÃdia, hoje perdi o ponto do ônibus.





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Essa discussão é recorrente, desde o tempo que surgiu a tv e as pessoas achavam que ela iria sufocar o rádio. Ou muito antes até. Não foi McLuhan que disse “um novo meio nunca cessa de oprimir os velhos meios, até que encontre para eles novas configurações e posições”?