Never Mind The Bollocks

Sex Pistols

Nas minhas últimas férias, estava eu tentando fazer uma “arriscada” manobra sobre as areias de Pântano do Sul, em Floripa, quando pedi educadamente a um rapaz que fechasse a porta traseira da caminhonete dele, para que eu pudesse manobrar com mais facilidade. Ele, como bom manézinho da ilha, me chamou de “ruim de roda” e não fechou a porta.

Em outro local qualquer, seria chamado de grosso, braço ou barbeiro. Mas em Floripa, assim como no livro do Marcelo, Marmelo, Martelo, fui chamado por um nome descritivo, composto e extremamente simples. Há quem faça gozação, dizendo que o pessoal local da ilha chama helicóptero de “avião de rosca”, mas eu prefiro pensar que isso só demonstra uma forma mais simples e direta de ver as coisas.

Hoje, lendo uma matéria no site do Clube de Criação de São Paulo, vi que um brasileiro foi contratado como Integrated Creative pela Wieden+Kennedy, de Londres. Não sei bem o que significa, mas me arrisco a pensar que seja um profissional que integre habilidades de direção de arte, redação, planejamento e etc. Se for assim, eu sempre quis ser um Integrated Creative e só não sabia o nome da coisa. Quando fazia ESPM e estava montando minha “pasta”, tinha uma crise existencial enorme em não saber se fazia um portfólio de Diretor de Arte ou Redator. Ou, ainda, se não desistia disso tudo e procurava uma vaga de atendimento ou planejamento.

Depois do meu fugere urbem pro Sul, abri uma agência e a crise passou. A Dobro faz comunicação integrada e, agora, eu podia fazer de tudo um pouco. Mas, hoje, pensando no manézinho e no Integrated Creative, me toquei que fazer “comunicação integrada” é mais ou menos como ser “ruim de roda”. O bacana mesmo é ser “full service”, “360%” ou “hot shop”.

As pessoas gostam de rótulos. É só pegar uma forma genuína de expressão musical, pessoal ou cultural, juntar alguns representantes que tenham características semelhantes, rotular e vender. Never Mind The Bollocks, here’s the Hot Shops.

O problema não são os rótulos em si, mas é a salada que se transforma a coisa quando os representantes genuínos começam a se misturar com oportunistas que se apropriam dos rótulos, para pegar carona e vender junto. E, quando a gente se dá conta, encontramos no mesmo balaio o Sid Vicious, o Joey Ramone, o Billy Idol e o Supla.

Além de toda a vantagem das praias, pode ser que seja mais inteligível fazer comunicação integrada em Floripa. Como ainda estamos por aqui, trocamos o “integrada” por “exponencial”. Não é “exponential” ou “outstanding”, mas nos serve, porque nos parece sincero e autêntico.

Em resumo, não é que eu não goste de rótulos. Eu só costumo ter cuidado com eles. Até porque, via de regra, no verso há sempre um prazo de validade.

Em tempo. Essa foto o Carlos Gerbase (um punk – e um indivíduo – autêntico), tem em um pôster na sua sala da Casa de Cinema.