Jornalistas sem diploma

Ontem o STF decidiu que a exigência do diploma de jornalismo não é mais obrigatória para o exercício da profissão. E mais: o relator, Gilmar Mendes, com a maior cara-de-pau afirmou que na formação de um jornalista é importante o preparo técnico, assim como é nos cursos de culinária, moda, ou costura, nos quais o diploma não é requisito básico para a atividade. Então tá!

Não que eu ache que o ensino no Brasil é plenamente satisfatório e que garante uma boa formação. Para que isso seja sequer um reflexo do que seria o ideal, seria necessária uma reforma radical e sem precedentes na construção da educação dos brasileiros. Não sou utópica a ponto de achar que ainda estarei viva para ver isso acontecer. Também não sou hipócrita em afirmar que tudo que a imprensa produz tem valor porque é feito por acadêmicos bem formados. Ao contrário, o lixo diário publicado nos mostra claramente que muitos ignoraram solenemente seus professores e seus ensinamentos. Mas acho arriscado num país como o nosso, onde a apologia ao achismo e à lei do “vou me dar bem” são práticas comuns, incentivar a não-formação profissional.

Se eu tivesse seguido a tradição familiar, hoje poderia ser uma doceira ou quituteira de mão cheia, sem diploma, e certamente mais rica, pois o dinheiro que investi na minha faculdade poderia ter aberto um boteco.