Mallu Magalhães e a escola
Duas matérias nesta Zero Hora de domingo apresentam uma estranha correlação que, ao menos para mim, não pareceu proposital mas que é, no mÃnimo, inusitada. O caderno Donna traz como reportagem de capa um perfil de Mallu Magalhães. Caso você esteja chegando de Vulcano agora, ou caso não tenha filhos adolescentes, a Mallu despontou com vÃdeos no MySpace e no YouTube e virou sucesso nacional, é uma das atrações mais aguardadas do Planeta Atlântida e namora o Marcelo Camelo do Los Hermanos. Mallu, que tem 16 anos, não é muito chegada à escola. Segundo ela: “Claramente, a escola é o meu obstáculo maior, da minha relação com autoridade. Eu não gosto de autoridade, tudo o que é autoritário é ruim”.
Na página quatro do caderno principal, uma reportagem especial: “O X da educação”, onde há uma entrevista com o Cláudio de Moura Castro, economista e um dos principais pensadores da educação no Brasil. Dentre as várias coisas que diz Cláudio, uma delas é “Os professores não aprendem a dar aula. (…) Os mais antigos dizem que antes aprendiam a dar aula. Hoje tem uma barreira, uma gosma ideológica fortÃssima, uma grande resistência à mudança e uma recusa em ensinar aos professores aquilo que eles devem ensinar”.
As matérias citadas estão nos links aà no texto. Minha pergunta é como ensinar aos professores a melhor forma de ensinar a Mallu e tantos outros adolescentes e crianças que vivem uma realidade absurdamente diferente de sua geração imediatamente anterior. Com meios de produção à mão – uma webcam, computador, violão e uma conexão com a Internet – Mallu excursionou pelo Brasil inteiro, esteve em Portugal, vai ganhar o mundo. Qual é a escola que dá este tipo de vivência a uma garota como ela, esperta, com vontade de saber cada vez mais? Mallu tem a imensa felicidade de uma famÃlia estável, pais presentes que, ao menos no que se pode ver (nem tudo é visÃvel na vida dos artistas), mantêm a rebeldia da menina em bons trilhos.
Mágica não há, mas algo precisa ser feito. Entre 1995 e 2005 as médias do Sistema Nacional de Avaliação de Educação Básica não mostram avanços. No mesmo perÃodo, quantas pessoas em idade escolar passaram a ter o acesso à Internet e ao respectivo assédio de sua quantidade de informação e formas de comunicação? Quantas escolas públicas passaram a ter laboratórios conectados à web? O quanto os professores foram efetivamente preparados para usar coisas como MSN, Orkut, Twitter, blogs, Wikipedia, etc, como ferramentas didáticas? Quantos foram proativamente buscar este tipo de preparação?
Pergunto isto tudo porque realmente não sei a resposta, mas o faço com a preocupação de quem tem filhas, sobrinhos na escola, que gostam da Mallu Magalhães e que vão ler, ouvir e ver que a guria tem problemas com a escola e não é nenhuma marginal, ao contrário, é Ãdolo e modelo de sua geração.
Publicado originalmente no Dicas-L





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Olá, muito interresante o seu texto, sou estudante de artes pela FAdm,Faculdade de artes Dulcina de Moraes em BrasÃlia, e neste ano termino a minha graduação-licenciatura plena em educação artÃstica, e confesso o meu medo perante essas questoes levantadas, por acaso tenho 20 anos e a 3 saà no ensino médio, talvez eu me sinta privilegiado por estar novo e com bastante energia para enfrentar o desafio de entrar numa sala de aula com alunos quase com a mesma idade que a minha. Todavia tenho o interrese de levar o conhecimento de forma clara e objetiva, basicamente como eu gostaria de aprender, espero desenvolver um bom trabalho. Bom texto!
abraços!
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