O suprassumo do bagaço do resumo
Há alguns anos li, pela primeira vez, A Estética do Frio, do Vitor Ramil. Este texto serve-me, até hoje, como uma base de auto-crítica para tudo o que escrevo, buscando os pilares das sete cidades de um bom documento: Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Ainda assim, tenho que confessar que a concisão é com quem mais luto. Ela sempre perde em uma luta com a clareza, o rigor e a leveza. Mas parece que a tendência atual é mesmo privilegiar a concisão. Na edição de novembro de 2008 da Wired, Paul Boutin sentencia: Mate o Seu Blog. Segundo ele “o limite de caracteres do Twitter coloca todos em um mesmo patamar. Ele faz com que amadores parem de agonizar sob seus textos e os força diretamente ao ponto,” ao que realmente querem dizer.
Não sei… Não sou, de forma alguma, contra novas formas de expressão, mas parece-me que estamos indo para um momento de crescente preguiça e superficialidade na busca de informação. Não acho que vídeos do Youtube ou posts relâmpago no Twitter possam substituir o bom texto de um blog especializado, uma boa matéria de um jornal e especialmente a boa história de um livro ou filme. Meu medo é que nossas mentes, de uma forma geral, condicionem-se aos limites de texto de mensagens de celulares, às mensagens telegráficas de sistemas de comunicação instantânea e a uma certa falta de vontade e incentivo de buscar mais informações. Mas, como já disse Oliver Wendel Holmes Jr, “uma mente ampliada por uma nova idéia nunca retorna à sua dimensão original”. Quem sabe estas novas formas de comunicação, que limitam nosso espaço escrito, façam surgir uma linguagem nova que realmente não limite nossas idéias a tal espaço.
Artigo produzido para o Dicas-L





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Há o limite de caracteres, mas não há o limite de “twits”, assim, como não há mais limites de quantos blogs, quantos twitters ou quantos canais no youtube uma pessoa pode ter. Também não há limites ou regras de como esses elementos possam se integrar. Os discos tinham lado A e B, lembra? Hoje nem o limite “disco” existe mais. Na minha opinião, a preocupação não deveria ser em pensar que o twitter possa ser uma ferramenta que, de alguma forma, incentive a preguiça, mas sim em repensar a mudança radical de paradigma em termos de propagação da mensagem que estamos vivendo. E isso vale para as artes, negócios e tudo mais.
Se até os republicanos ultraconservadores estão usando o twitter…
Tendo a concordar com o Rodrigo. Seria bom ver as novas ferramentas não como limitantes, mas, na pior das hipóteses, como condicionantes. Não estamos saindo de uma era de ouro em que podemos comunicar, ou criar o que quer que seja, de forma livre e ilimitada. Sempre há balizas.
Por exemplo (não que eu manje muito do assunto): a semana de arte moderna de 22 consolidou um rompimento com todas as formas pré-estabelecidas de criação artística, seja por uma questão de métrica e rima nos poemas, ou de objetos a serem retratados e por aí. Assim, ela teria liberado um modo livre e natural de se dizer o que se quer da maneira mais bonita possível. Mas isso não quer dizer que, anteriormente, os limites das formas artísticas estragavam a arte. Pegue um soneto. Um soneto é uma grande amarra para um poeta. Ele tem 14 versos prá-definidos em um formato rígido, imutável. E ainda assim ele vai lá e escreve um soneto. E alguns dos melhores poemas da história vêm dentro dessa prisãozinha.
Outra coisa: há alguns anos estava em moda uma microliteratura, uns contos com limites de caracteres – “limites impostos” pelos próprios escritores. Se não me engano, enviei uma cópia de uma matéria da Folha de S. Paulo para o Rodrigo. Os textos são fantásticos. Dois exemplos:
1. Disque-denúncia, do Marçal Aquino:
- Cabeça?
- É.
- De quem?
- Não sei. O dono não tá junto.
2. A Bíblia, de Antônio Prata:
- Olha, pai, eu bem que tentei, mas acho que não deu muito certo não…
Enfim, essa literatura cabe num twit. Não gosto muito de contar vantagem, até porque não faço mito bem as coisas, mas é o que eu venho tentado no meu twitter – na verdade, um blip. http://blip.fm/thiagofonseca
Abraço.
Há muitas maneiras de se comunicar, mas parece que o que impera é a superficialidade, o descartável e o efêmero. As relações econômicas, sociais e até mesmo as afetivas tornam-se instantâneas, de alto impacto e, nesse mesmo processo, dispensáveis. Sei lá…é meio filosófico…é para se pensar sobre o assunto.
Nossa, que post mais polêmico, com comentários filosóficos. Todos com mais caracteres que um “twit” :-) Seria massa se o Mario Chamie aparecesse aqui por acaso.
Chamie certamente saberia twitar muito bem!
O TOLO E O SÁBIO
O sábio que há em você
não sabe o que sabe
o tolo que não se vê.
Sabe que não se vê
o tolo que não sabe
o que há de sábio em você.
Mas do tolo que há em você
não sabe o sábio que você vê.