O velho e o novo

Acirrando a disputa entre os mundos analógico e digital, a cidade de Goethe sedia desde ontem a Feira do Livro de Frankfurt e apresenta ao público um fantástico contraste que vai desde livros antigos e raríssimos, como a versão original manuscrita de uma música do compositor austríaco Franz Schubert, de 1825, ou uma carta do poeta alemão August von Platen, até as novas tecnologias, como o leitor eletrônico Sony Reader.

O aparelhinho, lançado pela Sony em 2006 no mercado americano e só agora na Europa, é um dispositivo do tamanho de um livro, mas com apenas 1 cm de espessura. Ele começou a ser vendido por US$ 350 no site da Sony na quarta-feira. Muito chique, a tela, baseada em tecnologia da E Ink Corp, assinada pelo MIT, é composta de pequenas cápsulas com partículas pretas e brancas carregadas com cargas elétricas.

Ronald Schild, especialista em inovação digital no mundo editorial, e que estava na feira, comenta sobre o futuro do livro impresso: “Acho que os dois meios conviverão. No futuro, as crianças continuarão tendo suas primeiras experiências de leitura em livros impressos. Porém, duvido que continuem levando para escola mochilas com vários quilos de livros”. Concordo com ele e rezo para que esse dia chegue logo, para o bem das minhas filhas que levam quilos de livros para a aula diariamente.

Bom, mas já que a parafernália ainda vai demorar para chegar por aqui, continuo recebendo pelo meu email diariamente os livros que escolho pelo site Leitura Diária. No site, depois de feita a “assinatura” do livro, você recebe trechos dele em seu email. O mais legal é que você poderá escolher o tamanho do texto (para ler em 5, 10, 15 ou 30 minutos), além dos horários e dias da semana do envio.

Porém, para mim, nada substitui o cherinho bom de um livro novo ou a sensação de manusear um livro velho, cheio de orelhas e marcas de quem já o leu.